Aprender com o que interessa aos pequenos

Peças de montar da Lego: uma tradição infantil/Divulgação

Nas abordagens relativas ao Mês das Crianças, resgatei este texto, escrito por mim 16 anos atrás, para destacar o processo de ensino-aprendizagem como mecanismo integrado por múltiplas linguagens. Uma delas é a das próprias crianças, aprendida a partir do contato com livros, gibis, desenhos animados, games, filmes de magia, aventura e curiosidades do mundo infantil.

Educadores, pais e todos aqueles que lidam com o universo infantil, no mínimo, suspeitam que uma revolução linguística se processa na garotada de alguns anos para cá. Não precisa ser estudioso do assunto para perceber que um conjunto de nomes estranhos foi incorporado ao vocabulário deles – os exemplos vão desde o clássico mundo de Harry Potter aos robôs montados com peças Lego do desenho Bionicle. Claro que a fantástica saga criada por J.R.R. Tolkien, da célebre trilogia O Senhor dos Anéis é parte natural dessa sequência de expansão linguística que há anos está a caminho em nossas casas, nas escolas, no mundo infantil e adolescente.

Quem vê nessa verdadeira invasão linguística um problema ou algum tipo de atraso está realmente perdendo uma oportunidade de entender como o processo pedagógico pode se apropriar dessa ferramenta – a expansão vocabular – para aumentar o interesse dos pequenos pelo aprendizado. Qualquer pessoa minimamente familiarizada com os processos de ensino e aprendizagem sabe que se aprende com mais facilidade aquilo que desperta maior interesse. Não é à toa que encontramos no Brasil pessoas com larga carga de conhecimentos sobre futebol – uns dissertam longamente sobre times, jogadores e gols ocorridos há anos. O que interessa, sabemos, fica.

Portanto, se seus filhos andam falando demais em elfos, hobits, dragões, escolas de magia, vassouras Nimbus, mutantes como os da saga X-Men e tantos outros, não estranhe. O ideal é se aproximar desse mundo e teremos à mão uma chance de utilizar esse linguajar para aumentar o interesse deles por outras linguagens, as mais tradicionais dos livros e dicionários.

Vakama, Makuta, Toa Hordika, Nokama, Matau, Metro Nui e tantos outros que compõem o universo do desenho futurista de Bionicle fazem companhia a nomes como Hogwarts, Azkaban, Pedra Filosofal, Valdemort e, claro, os Potter e seus amigos.

Aprender esses e outros nomes é importante para ter o que conversar com as crianças, além de ser uma oportunidade de abrir caminhos para aumentar seu interesse por assuntos que farão parte das suas vidas de adultos.

Afinal, a ideia de que as crianças aprendem brincando não foi mera teoria que os especialistas em educação vêm repetindo há décadas. E vale lembrar que quem tem alguma ligação com a educação e o conhecimento não deve fazer de conta que não tem mais o que aprender.

Quem leciona tem a obrigação, sim, de se inteirar desse mundo que não tem volta, pode nunca ir parar nos livros didáticos, mas que já está na cabeça da criançada há tempos.

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