Debate sobre suposta “literatura regional”, no Brasil, serve mais a uma tentativa de desqualificar as produções culturais fora do eixo Rio-SP do que para explicar a concentração de recursos no Sudeste

Começo o episódio de número 50 do podcast falando de uma ida ao Teatro Cultura Artística (em SP) para o lançamento de um livro que resultou na compra de outro e manteve a tradição de leitor de sempre comprar mais livros do que pode e consegue ler. Ou da natureza desse universo – o mundo livreiro – ser tão tentador que é impossível não virar um consumidor voraz de novas obras.

Após comentar o livro lançado – do jornalista João Paulo Charleaux (As regras da guerra, editado pela Zahar) -, falo sobre a nova aquisição, que foi o recomendado livro A cabeça do santo, de Socorro Acioli, a sensação literária brasileira que produz realismo fantástico com uma desenvoltura assombrosa. Em tempo: os novos livros entraram para a fila de leituras deste escriba.

Balela da literatura regional

Na segunda parte do vídeo, comento sobre um tema que existe há algum tempo e que me incomoda bastante toda vez que vem à tona: a produção cultural, principalmente literária, cinematográfica ou teatral, que seria “regional”. O termo ganha ares pejorativos, pois serve para elevar determinadas produções, notadamente as geradas no eixo Rio-SP, e meio que para “desqualificar” as excelentes produções em outras regiões do país, em particular no Nordeste brasileiro.

Cria-se quase uma caricatura para separar o que seria uma espécie de produção cultural – aqui fico mais centrado no campo literário – de nível mais universal e outras que seriam espelhos “regionalistas”. Isso é aplicado como filtro aos livros, ao cinema, ao teatro e às artes plásticas. Balela, sem fundamento e sem justificativa. 

Concentração de recursos no Sudeste

O que se esconde nesse truque é simplesmente que o grosso dos recursos acaba ficando numa determinada região do país, embora em todo o Brasil as produções sejam de excelente nível. Basta a gente se dar ao trabalho de viajar e conhecer excelentes companhias teatrais, circuitos de artes plásticas e o cinema nos mais diversos estados brasileiros – fora do eixão Rio-São Paulo. 

Uso como exemplos, no podcast, o cinema de Kléber Mendonça Filho (Bacurau, Aquarius, O Som ao Redor e O Agente Secreto etc) ou livros como esse que citei e outros da cearense Socorro Acioli. São exemplos de produções rotuladas, muitas vezes, como “regionais”, mas que carregam seu caráter universalista.

O debate está posto e segue em frente! Assista ao episódio clicando abaixo:

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