Por que a vacinação avança no Brasil

MUSEU DE SAÚDE PÚBLICA EMÍLIO RIBAS/INST. BUTANTAN/REPRODUÇÃO

Qualquer brasileiro minimamente informado, fora dos grupos de WhatsApp ou das correntes de disseminação de informações falsas, sabe que a vacinação contra o coronavírus no Brasil caminha para se firmar como uma das mais promissoras do mundo por motivos alheios ao que pretendiam as autoridades do governo federal. E tem muito a ver com o nosso histórico de “país vacinador”, cuja ilustração é a bela imagem de um agente de saúde aplicando uma dose de imunizante numa senhora, lá pelos idos da década de 1970, quando se construiu a tradição de imunização coletiva que – mostram os números – colocam a terra dos papagaios como detentora de alta cobertura vacinal em comparação com diversas nações do mundo inteiro.

A propósito dos números, uma matéria desta quinta-feira (18/11), do portal UOL, destaca que chegamos perto de 60% de brasileiros vacinados – com duas doses, com dose única ou a de reforço. O balanço foi realizado por um consórcio de veículos de mídia. A reportagem pode ser vista aqui.

Isso ocorreu, sabe-se, pela tradição, pela luta de profissionais de saúde e engajamento de movimentos populares, além do esforço de grupos de mídia, visto que o governo federal fez o possível e o impossível para atrasar a compra das vacinas, manteve até hoje setores da cúpula governista – tendo o próprio presidente como figura central – embalando discurso negacionista, falando mal das vacinas e pregando contra todas as medidas sanitárias corretas defendidas pelos especialistas, pesquisadores e cientistas.

Ainda a respeito da luta dos profissionais da área e de entidades de saúde pública, principalmente do Sistema Único de Saúde (SUS), foram inúmeras as etapas a serem superadas desde o começo da pandemia, em março de 2020. O portal da BBC Brasil ilustrou um desses momentos com diversas reportagens que resgatavam a tradição brasileira no campo vacinal e, sobretudo, as disputas políticas criadas pelo atual governo nesta área, em particular pelo estímulo ao negacionismo científico. Acesse aqui uma das matérias a esse respeito.

Trata-se, portanto, de uma vitória marcante da sociedade brasileira, por intermédio dos seus diversos grupos organizados e profissionais da área, cujas tarefas – de cuidar de pacientes, hospitais, UTIs lotadas, reunir informações sobre uma doença nova e extremamente letal e sobreviver – foram sobrecarregadas para combater esse tipo de comportamento social nefasto, com claros objetivos políticos e ideológicos, que miravam as vidas de milhões de pessoas como negócios, elementos de disputa de poder e meios de enriquecimento, inclusive ilícito, como revelado pela CPI no Senado.

A etapa seguinte será encontrar mecanismos que reduzam os estragos causados pelos efeitos da doença nas vidas das famílias: desemprego massivo, orfandade crescente, queda da renda dos mais pobres, fome e, claro, um processo de enorme desestruturação familiar, dentre outros. Na outra ponta, serão necessárias intervenções para conter a concentração de renda, que subiu ainda mais, justo no momento em que os índices de empobrecimento não dão sinais de redução.

O Brasil caminha para registrar, oficialmente, quase 630 mil mortes até o final deste ano, mantido o ritmo de óbitos das últimas semanas, e cuja queda se deu justamente porque a sociedade venceu a primeira etapa – que era “obrigar” o governo federal a iniciar a vacinação em massa. Agora é debelar de vez as tentativas de associar as vacinas a problemas e trabalhar na recuperação das vidas das famílias.

A etapa de reconstrução, sem dúvida, será longa e dura, mas precisa ser enfrentada.

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