A importância do ilustrador para dar mais vida às histórias na literatura infantil

Ilustrador, professor, escritor e criador gráfico Altemar Domingos: parceiro dos livros que publiquei até agora

No período em que ainda está imerso na tarefa de criação das suas histórias, preocupado em dar vida aos personagens e chegar ao “começo, meio e fim” que prenda a atenção dos seus leitores e leitoras, o escritor nem sempre pensa na etapa seguinte – que é conseguir alguém que “dê mais vida” àquilo que imaginou para transformar em livro ou qualquer outro formato possível dentro da literatura infantil. Essa figura, claro, é o ilustrador, tão fundamental quanto o enredo que compõe as obras, em particular no universo infanto-juvenil.

Tive a sorte e tenho o orgulho e a alegria de ter encontrado um profissional que tem olhos cirúrgicos para as histórias que escrevi – escrevo – e transformei em livro. Já são duas publicadas e uma terceira está em andamento após passarem pelas mãos criativas do paulistano Altemar Domingos, que é professor de desenho, quadrinista, ilustrador, escritor, criador gráfico e um leitor apaixonado por literatura infantil. Ele é responsável pelas criações gráficas dos livros Quando os bichos perderam o sono e O Saci de Duas Pernas, e trabalha nas ilustrações de Chapeuzinho Vermelho volta à floresta (com publicação aguardada para 2021).

Não se trata apenas da vida que os personagens ganham, da capa às demais páginas, mas do simbolismo e da função pedagógica das ilustrações no texto literário voltado para crianças e adolescentes – e até para adultos, bom lembrar, pois os quadrinhos estão em todas as faixas de idade de leitura. Simbolicamente, a intenção é criar uma identificação entre os pequenos leitores e os personagens que correm no texto. Do lado pedagógico, os desenhos e sua magia de cores servem de suporte ao entendimento da história por crianças ainda pequenas, também chamadas “pré-leitoras” (0 a 3 anos de idade) ou das “leitoras iniciantes” (na faixa entre 3 e 5 anos, aproximadamente).

Entre o pedagógico e o simbólico, enquanto professores ou pais leem as histórias ou essas são dramatizadas por contadores de histórias, as crianças gravam mentalmente as caras daquelas figuras que mais gostam, antipatizam ou temem, conforme o que é contado. E as cenas ficam marcadas, tanto que elas costumam voltar inúmeras vezes, para desespero dos pais ou professores, àquelas páginas dos livros para o “conta novamente, leia de novo”.

Portanto, mais do que homenagear os ilustradores na pessoa do Altemar, registro aqui essas considerações como dicas aos futuros escritores ou escritoras de literatura infantil, inclusive como experiência pessoal na área: valorizar o texto infantil passa, naturalmente, pelo trabalho de quem faz a criação gráfica.

As crianças e pais, muitas vezes, sequer desconfiam que, na maioria das vezes, quem escreveu a história não tem a menor ideia de como faria para transformar aquilo tudo em desenhos, cores, passagens ricas e fáceis de compreender. E que saem da cabeça do escritor para a cabeça do ilustrador, indo parar nas mãos de quem adora um livro.

PS – Altemar é autor, dentre outros trabalhos, do livro Jaguara – Guerreira e Soberana.

Um comentário sobre “A importância do ilustrador para dar mais vida às histórias na literatura infantil

  1. Pingback: Por que tememos os lobos? | Djair Galvão

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s