Montreux ou San Javier?

Amantes do jazz sabem como é difícil discutir quais são os melhores festivais de música dedicados aos sons de sangue negro pelo mundo, mas ninguém discute que alguns desses megaeventos conquistaram o público pelo tempo, por conta da localização, do charme, da organização e, claro, do rol de participantes ano após ano, uma temporada após outra.

Um registro importante: os dois mais tradicionais festivais de jazz do mundo – Montreux (Suíça) e San Javier (Espanha) – também foram atingidos pela avalanche da pandemia de coronavírus e tiveram suas edições de 2020 canceladas. Neste ano, mesmo sob o risco das variantes, as edições dos encontros foram realizadas com público reduzido, entre o mês de julho passado e o início deste mês. Dito isso, vamos ao que interessa!

Sem dúvida, Montreux carrega o prestígio de 55 anos de música negra de raiz afroamericana, mas seu caldo é uma mistura de grandes nomes de variados estilos que cruzaram o caminho do jazz ao longo de sua história. Aqui cabe a lembrança da participação de muitos músicos e artistas brasileiros em diversas edições do evento, realizado na região dos Alpes Suíços.

Pode-se dizer, sem malícia, que muita gente passou a “existir para o mundo musical” – no sentido internacional – a partir de aparições em Montreux. E o mundo conheceu melhor as variações do jazz, fusões e estilos com os quais este dialoga com o passar dos anos e dos eventos.

E o que dizer de San Javier, que acontece na região da Múrcia, na Espanha, desde 1998? Não é uma “cópia” de Montreux e nem teria razão de sê-lo pelo simples fato de que ganhou notoriedade e prestígio por uma série de características. A principal delas: a incorporação de nomes do jazz que nem todo mundo conhecia, além de ser espaço para cantores e cantoras jazzistas que se notabilizaram mundo afora no campo dos covers. Acrescente-se a isso o quadro de bandas e convidados, de prestígio e sensibilidade musical ímpares.

San Javier também carrega uma notória aura de simplicidade, um charme próprio, que afirma o território espanhol como celeiro do melhor da música nos cinco continentes. Citar nomes e figuras que já estiveram no festival da Múrcia seria trabalhoso, mesmo sendo este mais “novo” do que o consagrado Montreux.

A rigor, a provocação inicial do título não era propor uma escolha, mas mexer no saudosismo de termos ficado um ano inteiro sem esses dois dos maiores eventos do jazz internacional.

Portanto, quem não conhece ainda o que rolou em San Javier – e estava acostumado aos sucessivos shows dos convidados de Montreux – pode fazer uma viagem musical, em canais como o Youtube.

A propósito, veja abaixo um exemplo com a catalã Andrea Motis, que recheou sua apresentação com músicas de João Gilberto, Marisa Monte, Paulinho da Viola, Vinícius, Jobim e outros, na edição do San Javier de 2019.

Bom, de Montreux, todo mundo sabe, a turma por lá sempre dispensou apresentação!

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