Um clássico de João Bosco, a morte e a banalização da morte na pandemia

Capa do estudo Atlas da Violência 2021/Reprodução

A cidade pode ser qualquer uma: o clássico refrão da música De frente pro crime, de João Bosco, teima em se repetir, minuto a minuto, de tão atual: “Tá lá o corpo estendido no chão”. Sua triste atualização resume a banalidade no tocante ao fenômeno da morte entre nós brasileiros – em particular se colocarmos lado a lado os níveis históricos da violência no Brasil e as centenas de milhares de vidas perdidas na pandemia (quase sem fim) de coronavírus.

Segundo dados constantes do Atlas da Violência 2021, publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública realizada em parceria com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Instituto Jones dos Santos Neves, o número de assassinatos no Brasil no período de 10 anos (de 2009 a 2019) superou as 623 mil pessoas. Entre 2020 e o final de setembro de 2021, o país já contabilizava quase 600 mil mortes em decorrência da Covid-19.

Ainda de acordo com os dados do Atlas da Violência, desses mais de 623 mil mortos, 53% das vítimas eram jovens e adolescentes. O coronavírus deixou mais de 130 mil crianças e jovens órfãos no Brasil nos últimos dois anos (leia aqui o relatório completo)

João Bosco relatou de forma irônica e triste a forma banal como a morte era (e continua sendo) tratada país afora. E o que dizer das quase 600 mil vidas perdidas no Brasil num curto período?

Outras tragédias fazem coro a esses números: cerca de 15 milhões de desempregados e 41,1 milhões de pessoas na miséria – sendo que somente entre 2019 e 2021, quase 2 milhões de famílias entraram para a fila dos miseráveis (veja reportagem do UOL). A violência multifacetada.

Pergunta-se: quando o país terá um Estado funcionando plenamente e a cidadania com o devido valor? Quantas gerações? Sem resposta.

A voz do cantor ecoa todos os dias.

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