Pandemia, pobreza e concentração de renda multiplicam população na rua

Foto por Alvin Decena Gcash&Coins.ph09561687117 em Pexels.com

O documentário Onde Eu Moro (Netflix, 2021) retrata, em apenas 40 minutos, o drama da crescente população que vive em situação de rua em importantes cidades dos EUA, como Seattle, Los Angeles e São Francisco. Poderia ser São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba ou qualquer metrópole brasileira, com mudanças apenas de cenário e características específicas dos dois países.

Os dados reais são também parecidos e chocantes: cerca de 500 mil norte-americanos dormem nas ruas, enquanto o Brasil já amarga mais de 220 mil pessoas nessa situação, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a partir de números coletados ainda em 2020.

A título de comparação, a tragédia social retratada no filme dirigido pela dupla Pedro Kos e Jon Shenk, a cidade de Los Angeles tem quase 70 mil pessoas perambulando pelas suas ruas e avenidas, enquanto São Paulo já tem população em situação de rua superior a 46 mil pessoas, embora esse número seja divergente com os apontados pelo governo municipal, principalmente por conta da desatualização das estatísticas feitas nessa área.

Em numero absolutos, apenas dois estados norte-americanos respondem por praticamente metade de toda a população que sobrevive nas ruas das cidades dos EUA: Califórnia e Nova York concentram nada menos que 243 mil pessoas nessa condição – o que supera os dados disponíveis sobre moradores vivendo nas ruas brasileiras, conforme dados do último censo feito por aqui.

As imagens mostradas no documentário foram captadas pelos diretores de cinema antes e durante a crise sanitária causada pelo surgimento do coronavírus, mas seus efeitos são anteriores à maior tragédia vivida pela humanidade em séculos. A crise humanitária mostrada nessas cidades dos EUA repete a fórmula da mistura explosiva que envolve concentração de renda, desemprego, ampliação de políticas de transferência de renda pública para grupos financeiros e fim de ações governamentais que diminuam o impacto do empobrecimento na vida dos mais vulneráveis – principalmente durante o governo do ex-presidente Donald Trump. O governo Joe Biden tenta reduzir esses efeitos com o anúncio de investimentos estatais que visariam a geração de emprego e renda.

O mesmo se repete na economia brasileira, mas sem a contrapartida atualmente em curso com a troca de governo ocorrida desde o início deste ano com a chegada de Biden à Casa Branca. No caso brasileiro, a concentração de renda, a fome, o desemprego, a queda brutal de investimentos públicos e o corte da maioria dos investimentos voltados para áreas sociais têm sido a tônica da política econômica tocada pelo ministro Paulo Guedes desde 2019 – agravada pelos efeitos da pandemia.

Os números da concentração de renda, no Brasil, são crescentes, de acordo com a publicação que lista pessoas que alçaram o topo da cadeia dos ‘bilionários’ em plena crise sanitária, econômica e social que atravessamos: apenas em 2021, o ranking da Forbes anunciou a chegada de 42 novos integrantes a esse ‘clube’ em território brasileiro (veja a matéria aqui do portal Infomoney).

Na real, o Brasil tenta se equilibrar entre a fila do osso (veja aqui, em matéria do dominical Fantástico, da TV Globo), a comida escassa (matéria da Folha de S. Paulo), o desemprego crescente e a concentração de renda.

Resta saber em qual condição ficam aqueles que sequer integram a parte “miserável” da população que – ainda – não foi parar nas ruas e avenidas como última alternativa de sobrevivência.

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