Um mundo melhor a caminho?

Cartum de Gilberto Maringoni/Reprodução

Um dia antes da publicação deste texto o Brasil registrou, oficialmente, mais de 603 mil mortes por coronavírus. Na outra ponta, chegamos no mesmo dia ao histórico número de  104,4 milhões de pessoas vacinadas com duas doses ou com a dose única – o que corresponde a praticamente metade da população do país com a cobertura vacinal completa.

O primeiro dado é resultado da condução da pandemia no país. Isso é fato consumado – e os pesquisadores de diversas instituições mostraram estatísticas assombrosas: se tivéssemos seguido a ciência, com rigor, e aplicado vacinas cedo, com reforço de protocolos de saúde mais duros e respeitados pela maioria, pelo menos 400 mil vidas teriam sido poupadas.

Os dados da população brasileira totalmente imunizada são o resultado da pressão das ruas, das redes e das necessidades do setor produtivo, que obrigaram o governo a adotar um programa mínimo de vacinação, após idas e vindas. E isso se refletiu na queda drástica do número de mortos nos últimos meses. Apesar do negacionismo oficial, as vacinas salvam. Aqui e em todo o mundo!

Ante tudo isso, somos um país a ser estudado num futuro próximo quando for possível fazer um inventário histórico de como cada nação lidou com a pandemia do século 21.

Entre fracassos, crimes expostos pela CPI da Pandemia, cortes no orçamento para pesquisa científica, brigas pelo poder, aumento do desemprego e da miséria, inflação galopante, ministros com milhões de dólares escondidos no exterior, esforços do governo para barrar as vacinas, o uso de máscaras, alterações de atestados de óbito de mortos e a distribuição de remédios fajutos – como num roteiro repleto de surrealismo e absurdos – os brasileiros procuram maneiras de continuar respirando e vivendo.

A maior parte do tempo dirigindo na contramão em relação à maioria dos países do mundo, o Brasil segue tentando descobrir a fórmula para um dia sair da pandemia de coronavírus.

E o que já se coloca adiante desse gigantesco desafio é um roteiro com inúmeras perguntas ainda não respondidas. Muitas das questões abaixo são de ordem filosófica; outras, do mundo da política e da economia; e outro tanto não passa de mera especulação. Vamos a elas:

Haverá um mundo novo? As pessoas mudarão seu comportamento? Seremos mais humanos? Quais lições aprenderemos? A geração atual continuará agindo da mesma forma que agia antes do coronavírus? Os pobres ficarão ainda mais pobres? Os sistemas de saúde serão fortalecidos? A fome será combatida? As sociedades reformularão suas estruturas viárias e mudarão traços nefastos como o uso excessivo de carros, produção exacerbada de lixo, poluição e consumismo desenfreado? Surgirá um mundo mais solidário e menos polarizado?

O eixo central dos debates acerca do que virá quando houver um controle efetivo da circulação do vírus entre nós é o seguinte: o que poderá ou deverá mudar no mundo? Ou seja, quer queiramos ou não, vamos continuar esbarrando em mais perguntas do que em respostas, mesmo que já saibamos que muita coisa pode ser respondida por números, dados e pesquisas científicas.

Certamente é possível lançarmos mão da sabedoria popular, por enquanto, usando a máxima “vamos devagar com o andor que o santo é de barro”. Se essa premissa de ditado amplamente conhecido entre nós estiver correta, nos preparemos para grandes decepções.

É quase certo que haverá, sim, muita gente com outra cabeça, outros propósitos, novas atitudes etc, enquanto as massas de “aprisionados” pelo vírus só aguardam o momento em que poderão “retomar” suas vidas. Mesmo que seja para retornar ao nível idade da pedra ao qual estavam presos antes da pandemia.

A humanidade, convenhamos, não é uma caixinha de surpresas, mas de obviedades. E esse período nos mostra muito bem isso.

Dito isto, é natural que as pessoas não queiram entender que a sociedade como um todo não será mais a mesma, sejam elas incrédulas, contra ou não aceitem a realidade que está por vir. Seguimos mesmo sem respostas. E gerando mais e mais perguntas.

Quais serão as mudanças, para o bem ou para o mal? Como diz um pensamento musical, “quem viver, verá”.

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